Bom, “nem só de modelo viverá o homem”, parafraseando o Novo Testamento ["nem só de pão viverá o homem" (Dt 8:3; Mt 4:4)], ou seja, nem só de coisas materiais é constituída nossa vida (apesar de um modelo no sentido abaixo não ter nada de material, mas o que importa é a metáfora!). Assim, nada melhor do que uma poesia para relaxar a mente, depois que fiquei aqui por quase 7 horas montando esta parte inicial do blogue:

Alberto Caeiro

II – O Meu Olhar

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás…
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem…
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras…
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo…

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender …

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos…
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar …
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar…

Mais de Fernando Pessoa aqui.